k. está profundamente cansado. Mas não é cansaço físico, é existencial. Ser ou não ser. Para K. a existência vem primeiro que a essência; ele não acredita em deuses para tapear sua alma. Se bem que a Neurociência anda proclamando qualquer espécie de fé em remédio. Uma droga que produz ânimo e esperança. K. sente certa piedade dos cristãos: têm um Evangelho a ser seguido, mas o único que conseguiu foi morto na cruz. Não existe mais ninguém que coloque em prática o manuscrito dos cristãos. São produtores do fundamentalismo e da maior variedade de tentáculos. K. não consegue saber quantas igrejas cristãs nascem por ano. Se reproduzem como células cancerosas.
O sol estava escaldante e K. esperava ônibus. Um homem vestido de terno pregava publicamente a Bíblia.
Pregava um deus bravo, sem piedade. K. sentiu pena do pregador solitário. Ninguém dava a mínima para ele. Uma moça na sua frente carregava debaixo dos braços um livro de auto ajuda: Como Ser Feliz. Na esquina uma loja de artigos de Umbanda. K. sente-se esmagado pela sua melancolia, mas, ao mesmo tempo, sente uma profunda alegria por não seguir os passos de filósofos, psicólogos e cientistas.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
ASAS IMAGINÁRIAS

Está tudo apagado. Não brota uma idéia, um viés sequer. K. não consegue escrever. Sua mente está mergulhada no mais profundo vazio. Talvez ele faça como Monteiro Lobato: começe a escrever para crianças. Mas mesmo assim não rola. Ele tem à sua frente uma porta de aço impedindo-o de sair desse exílio. As lembranças de quando era criança povoam sua alma. O quintal de sua casa era um mundo feliz. Agora que K. ganhou asas ele permanece em hipertrofia. O que vou escrever? Minha vida infeliz? As asas de K. o levam sempre aos alpes da malancolia. A única saída é romper a porta de aço já que as asas são imaginárias. (Geraldo Magela Matias)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
SOLIDÃO

K. já foi cercado de muitos amigos. Alguns comunistas, outros liberais. Até evangélicos. Hoje ele está sozinho no barco dos sonhos, das utopias. Uns tornaram-se promissores funcionários públicos, outros estão casados com mulheres ciumentas. Tem até dentista e secretário municipal de cultura. K. é um cidadão que merece cuidados médicos, ele sofre de Transtorno Afetivo Bipolar. A única companheira de jornada é a psicóloga, a Pérola - ela é linda. A família padece junto com k. O filho de K. lhe proporciona momentos de felicidade quando ele o abraça e diz que o "amará até o fim". A esposa de K. tornou-se uma espécie de curadoura: "vá tomar o banho, guarde os sapatos, etc."
A única fonte de alegria de K. são os inúmeros livros, a Literatura. Ele devora vários em pouquíssimo tempo. Seu autor predileto é Kafka. Mas tem uma fila enorme para ser citada. Talvez seja por isso que ele saiu da fila do sucesso profissional: ele acreditou na ficção.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
DEUS É DEUS

Deus é Deus, isto é óbvio. Um mito criado pelos homens que já sabe de tudo que vai acontecer; a História está em suas mãos. Já deixou milhares de crianças morrerem, nunca teve o poder de evitar ditaduras crueis: comunismo, a israelita, a muçulmana a da maioria. Primeiro vem a essência, depois a existência, afirmava Sartre. Para ele, "nem a Filosofia existia, mas modelos que entram na moda e são impostos pela classe dominante.
Deus combate um ser criado por Ele mesmo: Satanás, um fraco anjo rebelde. Um anjo que tem um exército caído. O exército de Deus é totalmente fragmentado: igrejas tradicionais (históricas), pentecostais, neopentecostais e seitas.
K. não crê em mais nada. Nem tem medo de não crer em nada, não tem temor. Nem do budismo, taoismo - que por sinal andam na moda entre os intelectuais.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
MEMÓRIA
Pseudo Revoluções
A corrupção parece um lastro de pólvora, mas nunca provoca explosões finais. Ela perde a batalha, não a guerra. K. teve uma juventude recheada de política. Militou na esquerda, a mesma que acumulou milhares de cifrões no tal do "mensalão". K. ainda teve que engolir as trapaças com as ONGs e o PCdoB, parceiro do PT. K. sabe que nem todos são corruptos. O que mete medo são as situações repetitivas na Educação, na Infra-estrutura, na malha viária, nas rodovias e nos portos, na Segurança Pública. Tudo caminha de forma uniforme: obras paradas, superfaturadas.
K. não acompanha mais o caderno de política dos jornais. Prefere ver o noticiário bizarro. K. ri dos comunistas, dos socialistas como dos neopentecostais. Prometeram revoluções e assumiram poder na sociedade, mas se comportam como os "inimigos". Para cada milagre um envelope com, no mínimo, R$ 50,00.
sábado, 3 de abril de 2010
BRINQUEDO

Ele não possuia amigos. A solidão era como um mar seguro, profundo. Melhor se esconder do que aparecer. Aparecer significa dar satisfações. Dar satisfações provocam mentiras. Por isso o sol batia no rosto de K., mesmo usando o velho chapéu - os homens de hoje não usam mais. K. era diferente. O sol iluminava-0. Caminhos, trilhas, vielas, ruas... amores perdidos, janelas fechadas, milhões de pessoas transitando. Depois de transitar pelas rodas de debates, entre acadêmicos o silêncio agora se basta. Escever para que? K. responde: "e eu sei?" Melhor falar menos possível para K. é um tesouro. Falar além do que convém lhe dói. O mundo parece ficar mais tranquilo com seu silêncio interior. Ele sente o gosto de ficar perdido, de não ter certezas. K. parece uma criança quando escreve. Qualquer palavra lhe serve de brinquedo. Por isso ele vive sorrindo sozinho. Nada vai ser pubicado. (Geraldo Magela Matias)
Assinar:
Postagens (Atom)
